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Home/Alimentação Terceira Idade/Alimentação correta na terceira idade
Alimentação Terceira Idade

Alimentação correta na terceira idade

By Nutri
abril 30, 2012
0

 

Alimentação correta na terceira idade

Alimentação correta na terceira idade

 

O aumento da população idosa, as suas características e seus problemas de saúde determinam a necessidade de se buscar compreender os fatores que afetam o hábito alimentar desse grupo etário. Entre os fatores que podem condicionar a qualidade de vida e a longevidade do ser humano, a alimentação é um dos principais. Várias mudanças anatômicas e funcionais decorrentes do processo de envelhecimento, bem como as grandes doenças associadas à velhice, podem ser atenuadas com uma alimentação adequada nos seus aspectos dietéticos e nutritivos.

Nesse contexto, está cada vez mais claro que é preciso compreender as mudanças que ocorrem no envelhecimento e os demais fatores que afetam o consumo alimentar do indivíduo idoso, para auxiliar na sua alimentação. E, dessa forma, compensar essas mudanças que são naturais, com o avanço da idade, mas que interferem no apetite e na mudança de hábito alimentar do idoso

Fatores que afetam o consumo de alimentos no idosoOs fatores que condicionam o hábito alimentar na terceira idade são: as alterações fisiológicas próprias do envelhecimento, as doenças presentes, a situação social, econômica e familiar em que vive o idoso.A) As Alterações Fisiológicas próprias do envelhecimento que interferem diretamente com o consumo alimentar do idoso estão no quadro a seguir.

Digestão

Sensorial

Sede

Dificuldades para mastigar devido à presença de cáries, doenças periodontais, próteses inadaptadas, falta de dentes e dentaduras defeituosas ou em precário estado de conservação.Menor produção de ácido clorídrico pelo estômago, sendo o esvaziamento gástrico mais lento.No intestino grosso e cólon há menor motilidade (movimento espontâneo), o que favorece a constipação (intestino preso).Procurou-se destacar apenas as alterações fisiológicas que afetam diretamente o apetite do idoso.

É prudente observar as condições peculiares de cada idoso, em função da diferenciação no processo de envelhecimento.

 

Estas mudanças incluem: diminuição e eventual perda na visão, audição, olfato e percepção do gosto.Dentre todas estas alterações, o olfato (odor) e o gosto interferem mais no apetite do idoso.O idoso tende a concentrar o tempero dos alimentos adicionando maior quantidade de sal e de açúcar para ajustá-lo ao paladar que está alterado.

A diminuição da sensibilidade aos gostos e odor dos alimentos pode desencadear um quadro de anorexia (ausência de fome) em maior ou menor grau, dependendo da intensidade.

O apetite do idoso pode ser modificado se a refeição estiver atrativa e saborosa.

No idoso, a menor sensação de sede ocorre pela disfunção cerebral ou pela diminuição da sensibilidade dos osmorreceptores, que são estruturas do corpo humano que recebem o estímulo da sede.Pouco consumo de água pelos idosos, associado ao uso de diuréticos, leva à desidratação.A debilidade física também dificulta o acesso do idoso à água, pois nestes casos existe certa dependência de outras pessoas.É fundamental oferecer água ao idoso.

 

 

 

 

 

B) A Presença de doenças e o hábito alimentar.

Geralmente, a presença de doenças reduz o apetite e aumenta as necessidades alimentares. E no idoso é comum a coexistência de várias doenças. A evolução das doenças nas pessoas com 60 anos ou mais reduz progressivamente as reservas orgânicas, levando o organismo à deteriorização (perda) gradual de sua capacidade funcional, com a consequente diminuição e perda de autonomia.

Essa maior suscetibilidade às doenças também leva o idoso a ser vítima do uso de múltiplos medicamentos, os quais influenciam a ingestão de alimentos, a digestão, a absorção e a utilização de diversos nutrientes, o que pode comprometer o estado de saúde e o requerimento alimentar. Os efeitos secundários que alguns medicamentos de uso habitual em geriatria produzem devem ser considerados nesta análise; os mais frequentes são:

  • Tranquilizantes e psicofármacos: favorecem o relaxamento e diminuem a absorção intestinal;
  • Diuréticos e laxantes: ocasionam desidratação e depleção de eletrólitos como magnésio, potássio e zinco;
  • Antibióticos: alteram a absorção intestinal por destruição da flora;
  • Glucocorticoides: predispõem à gastrite, osteoporose (interfere na absorção do cálcio) e hiperglicemia;
  • Analgésicos: favorecem a gastrite e úlceras.

Como foi evidenciado, frequentemente os medicamentos geram problemas digestivos e alguns inclusive levam à falta de apetite.

C) Influência da situação social, econômica e familiar do idoso no consumo de alimentos

Os hábitos alimentares nessa fase da vida estão muito condicionados aos chamados fatores psicossociais: disponibilidade de alimentos, integração social, capacidade de deslocamento, capacidade cognitiva e independência econômica. Grande parte dos idosos acaba consumindo alimentos de menor custo, em função dos insuficientes recursos econômicos provenientes de aposentadorias e/ou pensões, o que também favorece a monotonia alimentar (alimentação pouco variada). Em geral, a renda mensal “per capita” dos idosos é inferior à dos adultos jovens.

A integração social é outro fator que tem papel relevante na alteração do consumo alimentar do idoso. A solidão familiar e social predispõe o idoso à falta de ilusão e preocupação consigo, fazendo com que se alimente mal e pouco. Nesses casos, há uma tendência ao desestímulo para preparar alimentos variados e nutritivos. Verifica-se com frequência elevado consumo de produtos industrializados, como doces e massas, ou de fácil preparo, como chás e torradas. Essa modificação no comportamento alimentar certamente afeta a adequação de nutrientes ao organismo e o coloca em risco de má-nutrição. O estado de ânimo do idoso para ingerir o alimento é, muitas vezes, modificado por atitudes simples, como sentar o idoso confortavelmente à mesa em companhia de outras pessoas.

A má nutrição do idoso pode também ser decorrente de sua progressiva incapacidade para realizar sozinho as atividades cotidianas. Nessas circunstâncias, a aquisição de alimentos como ir ao supermercado e a preparação das refeições podem se tornar uma tarefa muito difícil. Tal situação faz com que o idoso dê preferência aos alimentos menos nutritivos, de fácil preparo, evitando os que possam causar dificuldades de manipulação durante as refeições. Em geral, verifica-se o excesso no consumo de produtos de panificação (pão, biscoitos, roscas, bolos), massas e doces. Deve-se também estar atento a outros fatores como: perda do cônjuge e depressão, pois, ambos levam à perda do apetite ou à recusa do alimento. Por outro lado, a ansiedade pode desencadear o aumento excessivo de peso (obesidade).

Estratégia Alimentar para Promover a Saúde do Idoso

  • Servir a refeições em local agradável, pois esta atitude melhora o estado de ânimo do idoso. Isso significa que o ambiente onde se realiza as refeições deve ser limpo, arejado, de preferência de cor clara, piso não derrapante, com mobiliário adequado (mesa e cadeira confortáveis, feitas de material resistente) e com espaço de circulação entre as mesas. Pode-se também colocar um fundo sonoro neste ambiente, desde que a opção seja por músicas suaves adequadas à faixa etária.
  • Sentar o idoso confortavelmente à mesa em companhia de outras pessoas: (familiares, amigos, residentes de asilos, grupos de terceira idade, dentre outras pessoas).
  • Disciplinar o consumo de alimentos, estabelecendo horários.
  • Fracionar a alimentação diária, ou seja, oferecer ao idoso refeições menos volumosas, mais vezes ao dia. O cardápio pode ser fracionado em cinco refeições, assim distribuídas: desjejum (café da manhã), almoço, lanche, jantar, e ceia (lanche noturno leve).
  • Utilizar com moderação os óleos vegetais para preparar as refeições. Evite as frituras e dê preferência à preparação cozida, assada ou grelhada. Não use gordura animal (banha, toucinho).
  • Oferecer refeições atrativas e saborosas. Para que a refeição seja atrativa é necessário ofertar aos idosos cardápios que fazem ou fizeram parte de seu cotidiano, desde que os mesmos façam parte de um hábito alimentar saudável. Deve-se também combinar bem os alimentos, oferecendo refeições coloridas (várias fontes), prática esta que possibilita maior variedade entre a oferta de nutrientes. Os pratos podem ser mais saborosos. Para isso, use os temperos que são benéficos à saúde como: alho, cebolinha, cebola, salsa, cheiro-verde, orégano e outros.
  • Aumentar o consumo de alimentos ricos em fibras. Procure incluir em cada refeição, fontes de alimentos ricos em fibras. Dê preferência às frutas, legumes e verduras frescas e, caso haja possibilidade, podem também ser instalado no cardápio cereais (arroz), massas e produtos de panificação integrais.
  • Reduzir o consumo de açúcar (refinado, cristal), gordura, sal, café e alimentos industrializados.
  • Oferecer água, sucos (natural), chás ao idoso para aumentar o consumo de líquidos, visto que a sensação de sede está diminuída nesta faixa etária. Evite refrigerantes e sucos artificiais.
  • Produtos de origem animal:
  • Retire a gordura visível das carnes. As carnes podem ser servidas na forma cozida, assada ou grelhada;
  • Evite pele de frango ou de outras aves e miúdos (rico em colesterol);
  • Ovos, somente uma vez por semana, cozido ou “frito na água” (a gema é rica em colesterol);
  • Retire a nata do leite ou sirva-o desnatado. A nata contém elevado teor de gordura.
Considerações FinaisOs efeitos da alimentação inadequada, tanto por excesso como por déficit de nutrientes, têm grande incidência na população idosa. Para a correta avaliação da alimentação é fundamental uma história alimentar detalhada. As estratégias alimentares evidenciadas neste capítulo são úteis para auxiliar na promoção da saúde do idoso, mas é essencial que o planejamento alimentar tanto no âmbito institucional (asilos, casa de terceira idade) ou familiar seja efetuado por um profissional habilitado, como o nutricionista, pois as necessidades nutricionais das pessoas idosas são essencialmente individuais, em razão das diferenças na progressão do envelhecimento e da intercorrência de enfermidades (doenças). Este planejamento depende do estado geral de saúde, dos níveis de atividade física, das alterações na capacidade de mastigação, digestão e absorção dos nutrientes e da eficiência no metabolismo, das alterações no sistema endócrino e no estado emocional. Além das condições financeiras em que está submetido o idoso.

Fonte: http://www.idosoamado.com/artigo4.htm

Por Maria Teresa Fialho de Sousa Campos 
Departamento de Nutrição e Saúde da Universidade Federal de Viçosa *

 

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