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Home/Plantas Medicinais/As Plantas na Medicina
Plantas Medicinais

As Plantas na Medicina

By Nutri
novembro 6, 2015
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As plantas na medicina

As Plantas na Medicina

Nesta era científica, é fácil tomar a pseudociência pela verdadeira ciência. Surgem equívocos ou mitos, que passam por verdades científicas. Um desses mitos refere-se aos remé­dios, e afirma: “Sintético é melhor”. Se um re­médio não contém substâncias químicas purifi­cadas, feitas em laboratórios, por cientistas de alta formação, com seus jalecos brancos — diz o mito — não pode funcionar.

Como todos os mitos, este nasce de um certo conjunto de experiência humana, e só é verdade até certo ponto. Foram-se os dias em que nin­guém jamais tinha certeza sobre as substâncias que continha uma poção médica, ou precisamente quais delas de fato ajudavam qualquer um a se sentir melhor. A ciência moderna oferece técnicas exatas de análise, se­paração e medição. Os cientistas hoje testam a eficácia e os efeitos colate­rais de um remédio antes que ele seja liberado para uso pelo grande públi­co. Esses procedimentos modernos tornaram os remédios que compra­mos muito mais seguros. Mas, infe­lizmente, ainda há margem para er­ros trágicos, como o que ocorreu em fins da década de 1950, envolvendo a talidomida, um sedativo que causava sérios defeitos nos bebés de mães às quais a substância fora receitada durante a gravidez.

Remédios que Funcionam

O mito também ignora o fato de que muitos re­médios da fitoterapia funcionavam realmente, em alguns casos tão bem quanto os produtos de laboratório, ou melhor, ainda. Finalmente, há o fato de que muitos dos remédios que compra­mos na farmácia contêm os mesmos ingredien­tes ativos que as plantas medicinais empregadas por culturas pré-científicas. Em outras palavras, as sociedades “primitivas” usavam basicamente os mesmos remédios para as mesmas doenças que nos levam aos médicos farmacêuticos de hoje. Eis apenas dois exemplos: • O chá feito de um arbusto que os chineses chamam de mahuang, Ephedra sinica, alivia tos­ses, resfriados e asma. É a fonte da efedrina, usa­da em muitos remédios, incluindo os descon­gestionantes.

As folhas da dedaleira comum, Digitalis pur­purea, contêm uma substância eficaz no trata­mento da congestão cardíaca. Favorece o fun­cionamento do músculo do coração.

No correr dos séculos, as pessoas foram ajuda­das por remédios que não vinham da profissão médica formal. O uso de plantas para tratar doenças é tão antigo quanto à raça humana, enquanto a medicina formal é muito mais recente. Mas se a medicina é definida como a ten­tativa de tratar e curar doenças, as primeiras pessoas a cultivarem e colherem plantas que jul­gavam úteis, herbarios e as primeiras a ten­tarem curar com o uso de ervas, também cha­mados herbolarios, ou fitoterapeutas devem figurar como pioneiros da medicina moderna.

 

Isso não significa que os remédios de origem vegetal tradicionais sejam necessariamente me­lhores do que as receitas químicas, nem os fito­terapeutas superiores aos médicos.

Permanece o fato de que as plantas contêm substâncias químicas que atuam sobre os tecidos. Um exemplo é a vinca. Contém vincristina e vimblastina, usadas contra certos tipos de câncer; extratos dessa flor detêm o avanço do mal de Hodgkin e a leucemia infantil.

Durante a maior parte da existência humana, as plantas (junto com substâncias animais e rituais místicos) eram praticamente tudo de que dispunham os curandeiros e os que esperavam ser curados. Isso ainda é verdade em grande parte dos países pouco desenvolvidos. Só neste século os avanços na química, na tecnologia e na farmacologia tornaram possível a síntese de muitos dos compostos hoje usados na medicina. Mesmo assim, cerca de 25% dos produtos farmacêuticos modernos derivam de partes de plantas superiores. (O número chega a 50% quando se incluem produtos feitos com microorganismos.) Na maioria dos casos, o uso atual do moderno produto farmacêutico é semelhante ao uso tradicional da planta de que ele foi extraído.

 

Além disso, os cientistas estão descobrindo que os ingredientes ativos purificados de alguns novos produtos farmacêuticos podem causar efeitos colaterais indesejados, que os remédios fitoterápicos “antigos”, não purificados, não causavam. Será, perguntam-se eles, que algumas plantas têm fatores de segurança embutidos, que minimizam alguns dos efeitos colaterais de seus ingredientes ativos? Na esperança de responder a essas perguntas, muitos cientistas estão pesquisando o estilo dos herbolários e curandeiros de eras passadas, assim como as práticas dos curandeiros populares de hoje. Essas investigações apontam sempre a hipótese de que os fitoterapeutas vêm usando os mesmos remédios de plantas desde a Antiguidade pelo motivo muito simples de que eles, de fato, funcionam.

 

Os Primeiros Tratamentos

 

Na maioria das sociedades do passado (e em algumas do presente), a doença era vista como um castigo dos deuses. Os primeiros curandeiros tratavam os doentes com preces e rituais, que incluíam o que se poderiam considerar “poções mágicas”. A maioria desses preparados médicos era feita com ervas locais. Embora possa ser verdade que as ervas foram escolhidos primeiro pela cor, odor, forma ou raridade, o resultado dificilmente teria sido um processo orientado apenas por suposições. Ao contrário, a aplicação de qualquer erva ou mistura de ervas a um distúrbio específico deve ter sido o resultado de muita experimentação, na base da tentativa e erro, ao longo de muitas gerações. Como explicar de outro modo o fato de que, a oceanos de distância umas das outras, diferentes civilizações aprendessem a usar plantas medicinais relacionadas, quase da mesma forma, para os mesmos males?

Descobertas arqueológicas num cemitério de Neandertal de mais de 60 mil anos, no Iraque, indicam o uso de várias plantas que ainda hoje figuram na medicina popular entre elas a alteia. Os índios mexicanos de mil anos atrás usavam o cacto peiote. É possível que então, como agora, o cacto fosse valorizado por suas propriedades alucinógenas, e também por suas substâncias medicinais ativas, ainda hoje aplicadas a machucados e ferimentos, sabendo-se recentemente que ele tem propriedades antibióticas.

 

Os sumérios habitavam uma área em torno dos rios Tigre e Eufrates (onde hoje é o Iraque) por volta de 4000 a.C. Por seus caracteres cuneiformes, inscritos em placas de barro, sabemos que os remédios que usavam incluíam tomilho, ópio, alcaçuz, mostarda e o elemento químico enxofre. Os babilónios que vieram a seguir aparentemente ampliaram o estoque de substâncias medicinais dos sumérios, acrescentando à sua lista açafrão, coentro, canela, alho e folhas de sena, entre outras ervas. Dessas ervas, e de resinas vegetais como gálbano e benjoim, faziam várias decocções (extratos), vinhos, salvas, emplastros e linimentos. Até os judeus da época do Velho testamento são lembrados por seus altos padrões de saúde pública e higiene, e entre esses povos da extremidade oriental do Mediterrâneo, o uso de plantas para fins medicinais era um costume aceito. No livro de Eclesiastes (ou Sirach) mostra em certo sentido a autorização e a estimulação desta prática: O Senhor criou remédios da terra, e o homem sensato não os desprezara. Dezenas de plantas, do zimbro a mandrágora, do algodão à mostarda, produzem substâncias empregadas para fins medicinais eram usadas na época do Antigo Testamento para os mais variados tratamentos.

 

Em Londres, as restrições que determinavam quem podia e quem não podia tratar doenças não eram nem de perto semelhantes às de hoje. Médicos que tinham tido educação formal nas escolas de medicina das universidades praticavam lado a lado com outros médicos práticos, incluindo boticários e alquimistas e todo tipo de charlatães. Quanto aos remédios feitos com plantas, eles ainda compunham a maior parte dos medicamentos e drogas relacionadas nas farmacopéias da época.

Na Austrália, os aborígines praticavam uma forma de medicina mais suave, baseada em ervas e cascas de árvores, alguns tipos de terra e massagens, além de ritos e fórmulas mágicas. Cada tribo tinha sua própria farmacopeia, e por toda a Austrália conheciam-se várias centenas de ervas, arbustos e árvores medicinais. Plantas de forte aroma, como uma gramínea do género Cymbopogon, e várias espécies de hortelã do género Mentha, eram os remédios preferidos contra males respiratórios, tomados como infusões, banhos de vapor ou simplesmente pilados e aspirados; às vezes o paciente dormia sobre o travesseiro feito de folhas perfumadas.

 

As cascas de árvores eram encharcadas de água para fazer uma solução adstringente que aliviava as feridas e a diarreia. As tribos do deserto misturavam ervas piladas com gordura animal para fazer unguentos curativos. Outros tipos de remédio incluíam sementes piladas ou frutos esfregados sobre membros machucados, e aplicava-se carvão de madeira muito fino como talco. A maioria dos remédios era de uso externo, de modo que havia pouco risco de se prejudicar o paciente com doses excessivas.

As últimas décadas ocorreram um fenómeno curioso com a fitoterapia. Em vez de ser substituída pela ciência médica e pela química farmacêutica, ela acabou sendo revitalizada. A fitoterapia lucrou com a análise objetiva da ciência médica. Descartando-se as afirmações fantásticas e emocionais em favor das curas através de ervas, descobriu-se que a fitoterapia e os medicamentos feitos com plantas têm algumas credenciais impressionantes. Nenhum laboratório produziu ainda um substituto para a digitalina.

 

As Plantas na Medicina

A penicilina, que substituiu o mercúrio no tratamento da sífilis e pôs fim a tantas epidemias mortais, provém de fungos de plantas. A beladona ainda fornece os produtos químicos usados em preparados oftalmológicos e em antiespasmódicos empregados para tratar distúrbios gastrointestinais. Na verdade, as substâncias presentes nas plantas continuam sendo a base de uma proporção bastante grande dos medicamentos usados hoje para tratar doenças cardíacas, depressão, dor, câncer, asma, distúrbios neurológicos e outros males.

A ciência médica ainda tem alguma coisa a aprender com os curandeiros? Parece que sim, pelo menos no caso da Rauvolfia serpentina, a raiz da rauvolfia. Seu ingrediente ativo, a reserpina, foi o constituinte básico de vários tranquilizantes utilizados pela primeira vez na década de 1950 para tratar certos tipos de distúrbios emocionais e mentais. Embora a reserpina raramente seja usada hoje para esse fim, sua descoberta foi uma inovação no tratamento da doença mental. É também o principal ingrediente de vários preparados farmacêuticos modernos para o tratamento da hipertensão. A reserpina pode ter um sério efeito colateral — depressão profunda — mas um chá feito de R. serpentina é usado na índia como sedativo há milhares de anos.

 

A Medicina Fitoterápica no Brasil

 

No Brasil, como em muitas outras partes do mundo, a medicina fitoterápica é praticada tanto por curandeiros populares para os quais a prática da fitoterapia é parte integral da cultura tradicional quanto por fito­terapeutas profissionais.

Os que praticam a medicina popular em geral não têm uma educação formal em medicina, e muitas vezes não existem textos escritos para seu campo específico. O fitoterapeuta profissional teve treinamento formal em medicina, além de uma especialização em fitoterapia, e realiza a prática e farmacêuticos dedicados ao estudo e à utilização dos vastos recursos da nossa flora, além de contar com vários laboratórios especializados trabalhando na produção de fitoterápicos (medicamentos feitos exclusivamente com plantas medicinais). Com o advento da química moderna, os laboratórios estrangeiros que detinham essa tecnologia passaram a comandar o mercado, inclusive absorvendo a maior parte dos laboratórios nacionais e substituindo a produção de fitoterápicos por medicamentos alopáticos. Nas duas últimas décadas renasceu o interesse pelas plantas medicinais e hoje é grande a procura por novos medicamentos que atuem como uma opção terapêutica eficaz, de baixo custo e menores efeitos colaterais.

Atualmente, a fitoterapia é uma prática e um campo de estudos multidisciplinar, envolvendo médicos, químicos, biólogos, botânicos, farmacêuticos e até antropólogos, que buscam ampliar os conhecimentos acerca da grande diversidade de nossa flora.

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